sábado, 5 de Dezembro de 2009

Só assim.



Ainda assim, estiveste lá quando eu precisei.

Um ombro descomplexado e sem medo, confiante em mim.
E eu recebo tudo de braços abertos. Porque somos assim.
Eu preciso de ti. E tu precisas de mim.
Ainda que assim. Só assim.

domingo, 22 de Novembro de 2009

Cheiram a ti.


Entrei no meu quarto. A luz estava apagada. Tacteei o caminho até ao fundo da cama e acendi o candeeiro. A cama estava por fazer.

Estiquei os lençóis e o cobertor, e olhei com atenção para o ondular do pano, que parecia não ficar certo.
Lembrei-me. Aquela sexta-feira, em que os teus olhos revelavam o cigarro que fumaste depois de jantar, e o meu trocar de pernas acusava os copos de vinho que nos acompanharam. Sentarmo-nos no sofá, lado a lado, fizeste zapping. Deixei cair a cabeça no teu ombro e com a mão que não segurava o comando, passaste nos meus olhos. Já estavam fechados. Tudo andava às voltas, já não era do vinho, o meu coração saltava na garganta, no meu estômago crescia o vácuo. Acordaste as borboletas. Procurámos os lábios e sem pensar, o sofá não era isso, era eu e tu, era o calor, era o tremer, era o não pensar.
Tombaste a cabeça para trás, e atropelando as palavras com o ar e a saliva, seguraste-me as mãos que te contornavam o pescoço e o encanto quebrou. O sofá era sofá, a televisão ligada, tu eras tu, e eu fiquei sem saber quem era. Olhaste-me nos olhos, e eu senti-me má, abusadora, envergonhada. Mas sorriste. E ficou um até já no ar.

De manhã acordei rejuvenescida. Lavei a roupa, aspirei o quarto, abri as janelas, murmurei cantigas, tirei o pó dos livros. Fiz a cama de lavado. Eram estes lençóis que estiquei. Nesse dia tinham o teu cheiro. Estava entranhado em todo o lado. E nunca lá estiveste. Como se te chamasse...
Nessa noite, partiste-me o coração pela primeira vez. E eu pus o teu cheiro a lavar.

Passadas semanas, surpreendeste-me com um compromisso emocional, um quero-te ao meu lado, um escolho-te a ti. Voltei a por os mesmos lençóis que cheiram a ti, a neles dormi, revolvi as minhas dúvidas, enterrei os meus medos, suei os meus sonhos contigo. Não voltei a pensar nos lençóis.

E agora, hoje, esta noite em que arrasto o meu corpo sem alma, presa ainda não sei onde, sem peso, sem volume, apenas ar, estico o cobertor para passar a noite em claro, e reparo que voltam a ser os mesmos lençóis.

Não cheiram a ti. Não cheiram a nada.
Cheiram a vazio, a engano, a omissões, a desolação, a nada.
Cheiram a ti.

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

And I blame you

I blame you for the sun going down.
the moon hiding behind a cloud.

I blame you for all the sad songs.
all the goods and wrongs.

I blame you for the mends.
the begginings and the ends.

I blame you for the honesty.
the untruthful love in me.

I blame you for your smile.
the stares at me, for a while.

I blame you for your eyes.
the love turned into lies.

And I blame you
for all these feelings.
just because you are.

sábado, 14 de Novembro de 2009

Don't leave...

Fazes-me feliz.

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Uma noite em branco, a ver a primeira temporada do sexo e a cidade.

Já fiz tantos testes, questionários, brincadeiras, e calhou-me sempre ser a Miranda.
Hoje identifiquei-me com a Carrie. Foi como se me visse de fora. Compreendi perfeitamente todos os seus medos e neuroses. Senti o mesmo. E cada vez que ela punha o pé atrás (com um sapato diferente) sentia no meu peito aquele ardor de ser eu a pôr o meu pé descalço fora do teu alcance. E neste momento era capaz de te dizer: deixa lá, são coisas minhas, eu consigo viver com isso.

Ela teve um final feliz. O meio foi doloroso, mas acredito num final feliz.
Que eu seja a Carrie no final.

Demodé?

Não há nada mais piroso que um coração partido.
Odeio estar fora de moda.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Decisions, decisions...

Nunca saberemos com certeza se as nossas decisões estão correctas. Ainda hoje não sei se as que tomei até agora o são.
Sempre acreditei que devemos seguir o nosso coração. Houve um dia que não o fiz. Até hoje é uma incógnita se foi correcto ou não.
As coisas boas que me aconteceram desde então podem ser prova de que a minha decisão foi correcta. Mas se não o foi, também nunca saberei.
E neste dilema, continuo sem saber que decisão tomar.
Odeio decisões. Sou balança de signo, desiquilibrada de coração.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Algo teu



É só o nada a bater-nos à porta
E a mim importa-me que estejas ao meu lado
Enquanto o medo vai dançando à nossa volta

É só uma imagem que sonhámos doce imagem
Nada que um dia após o outro reproduza
Mas meu amor estaremos sempre de passagem
Esquece o que eles dizem sobre um grande amor
Quem podia mais querer-te como eu
Nada que acredite conseguir mostrar pois é algo teu

52.27

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Neon Love



Como se tivesse acordado em Nova Iorque. Ou em Berlim nos anos 70.

Do telhado de um prédio velho, atrás do reflexo de um neon rosa, tremeluzente e incerto, alternando a cor com o zumbir estático ao qual não me atrevo a segurar para não cair, envolta no ruído abafado da cidade que quase chamaria silêncio de tão longe que está, o frio violador que insiste nos buracos das sapatilhas velhas.

Daqui olho para além, indefinido, nem interessa.
Nesta ausência de mim, encontro quem sou e quem não quero ser.
Apercebo-me dos erros e das faltas, dos meus defeitos e qualidades.
Sorrio por compreender que estou diferente, que me sinto bem.
Mesmo com frio. É cortante.
Aperto mais o casaco sob os braços cruzados e acredito mesmo que agora sim, agora vou, agora quero, agora sou.
Sorrio novamente, e a minha razão divaga para outros caminhos, para outros desvios.

Fazes-me bem.
Sim, é isso.
E só isso devia valer tudo.
E isso só eu vejo.
Mas nesta solitude livre eu não me importo de ser a única.

E estou aqui no telhado de um prédio velho, atrás do reflexo de um neon rosa, para me ouvir pensar, apreciar o meu sorriso e coração preenchido, e esperar por ti, até estar contigo de novo, o único que sente aquilo que eu vejo.

Porque eu desço as escadas de emergência que rangem e inseguram.
E vejo os umbigos, as auto-comiserações, as penas e os desdéns.

Sou mais feliz lá em cima, no meu neon rosa, onde a minha mente vagueia num mundo semi-paralelo-imaginário, mais real do que parece ser.

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

More than words



Ensinas-me a ver coisas que nunca vi.
Quando todos pedem mais do que palavras, tu dás-me o mais e não as palavras.
E quando eu dou mais atenção ao que não dizes, tu mostras-me que as tuas acções demonstram mais que um sussurro.

{tem a sua piada. concluo que é impossível racionalizar-te. para quê, então, racionalizar-me? por isso não falo. não me apetece. ninguém compreende de qualquer forma. vejo nos olhos dos outros a condescendência. it's more than words. so, there are no words to no one. i can hear his heart and mine. and nothing else matters. :)}

 
50.25